Você é viciado em celular?

Criados para otimizar o tempo e diminuir a dependência de um escritório fixo, os smartphones são símbolo de uma era em que “fazer-tudo-ao-mesmo-tempo-agora” é necessário para dar conta das muitas obrigações pessoais e profissionais.

Mas o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo, alerta para o fato de que o cérebro precisa de momentos de relaxamento.

“A superestimulação pode gerar um quadro semelhante ao de estresse”, diz ele. Engana-se quem pensa que joguinhos, Twitter e sites de relacionamento configuram descanso. Nada disso relaxa, diz Abreu, que compara o fascínio pelo cigarro das gerações passadas ao vício em celulares atualmente.

Alguns sinais de alerta

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Os smartphones ainda não são utilizados em massa no Brasil, mas em apenas um ano as vendas cresceram 69,2%, segundo dados da consultoria Gartner. As amigas Maria Eduarda Souza, 20 anos, Jessica Resnick, 19, e Giovanna Nadruz, 20, trocam mensagens entre si durante as aulas na faculdade. Jessica usa seu smartphone como despertador, passa-tempo, computador etc. “É viciante mesmo”, admite.

O estudante Roberto Neto, 20 anos, não acredita que vá ficar dependente de seu BlackBerry como seu amigo Bernardo Zerkowski, da mesma idade, que “surta” sem seu iPhone. “Tenho o aparelho há dois anos e hoje não me adaptaria a um celular normal”, diz Bernardo.

Quem estiver em dúvida sobre quão grave é seu caso, pode baixar o aplicativo I Love BlackBerry, que calcula quantas horas o usuário deste aparelho gasta com ele. E descobrir se pertence à “Geração CrackBerry.”

 

Você é viciado em smartphones? Saiba como identificar

Outras possíveis soluções

Monitore o uso do próprio celular

De acordo com uma pesquisa, estudantes universitários passam de oito a dez horas por dia em seus smartphones. Ficar atento à frequência com que usa o aparelho, como ao contar quantas vezes você o consulta, vai ajudá-lo a ter uma ideia do vício. Caso já esteja ciente das proporções do problema, comece a traçar objetivos e possíveis soluções.

  • Baixe um aplicativo que faça a contagem do tempo que o aparelho é utilizado, como o Checky. Essa é informação pode ser usada para que o usuário determine um objetivo específico de quantas vezes ou horas do dia ele pode abrir o celular.

Crie um plano para o uso do celular

Limite o uso do dispositivo para um certo período do dia ou por um tempo máximo. Coloque um alarme para tocar quando chegar ao tempo limite de uso do celular no dia (das 18 h até as 20 h, por exemplo). Se quiser, evite usar o aparelho em certos momentos, como quando estiver trabalhando ou na escola. 

  • Escreva o plano e objetivos para que eles sejam mais concretos. Mantenha um registro de quais objetivos você completou e dos que ainda está correndo atrás.

Ofereça recompensas a si próprio por passar menos tempo usando o smartphone

Este conceito, chamado de reforço positivo, é utilizado na psicologia para que o paciente aprenda a adotar comportamentos positivos por meio do uso de um sistema de recompensas. Por exemplo: ao cumprir o objetivo de utilizar o celular por um tempo máximo do dia, coma seu prato favorito, compre um presentinho ou faça uma atividade que desejava.

Comece lentamente

Em vez de ser drástico e não usar mais o celular – algo que pode causar muita ansiedade –, reduza devagar a quantidade de tempo que usa o dispositivo. Comece, por exemplo, abrindo o celular apenas uma vez a cada 30 minutos, depois uma vez a cada duas horas e assim por diante.

  • Anote quantas vezes você consulta o celular por hora.
  • Use o aparelho apenas quando for necessário se comunicar com alguém ou em caso de emergências.

Guarde o smartphone

Coloque-o em um local onde você não o verá; ligue o modo silencioso no trabalho, na escola ou em qualquer outro lugar para não ser distraído.

Tire férias do seu celular

Corte totalmente o uso do smartphone por um curto período de tempo, como um fim de semana. 

  • Faça uma viagem ou uma trilha onde não há serviço de telefonia. Isso o forçará a não usar o dispositivo.
  • Avise parentes e amigos que você vai “sumir” por um tempo. Um simples post em uma rede social será o suficiente.

Altere as configurações do telefone

As notificações por “push” alertam o usuário sempre que um novo e-mail chega ou quando há uma nova atualização no perfil do Facebook. Desligue-as para reduzir as vezes que o aparelho toca ou vibra; desta forma, você não se distrairá sempre que algo ocorrer.

  • Faça um plano pré-pago como última alternativa. É como se você tivesse um cartão para fazer ligações de orelhões: para usar uma certa quantidade de minutos, será preciso pagar por ela. Ao chegar no limite do plano, o usuário não pode mais realizar ligações.

Mude a maneira com que pensa em relação ao celular

Mudar os pensamentos sobre o smartphone pode ajudar a alterar emoções e comportamentos. Em outras palavras, pensar no celular de outra maneira pode levá-lo a se sentir melhor, utilizando-o com menos frequência.

  • Ao perceber que está pensando em abrir o smartphone, lembre a si próprio de que isso não é importante e pode ficar para depois.
  • Da próxima vez que sentir a necessidade de utilizá-lo, pare e pense: “Eu realmente preciso enviar uma mensagem para essa pessoa agora? Ou posso fazer isso depois, quando a aula acabar?”

Concentre-se no “aqui e agora”

Sem dúvida alguma, a arte de estar consciente pode ajudá-lo a se concentrar e reduzir o impulso de usar o dispositivo. Tente se concentrar apenas no momento, prestando atenção no que está acontecendo no presente, incluindo os próprios pensamentos e reações.

Participe de outras atividades que façam com que você queira continuar desenvolvendo-as

Usar o celular, por exemplo, reforça o uso positivo do aparelho, que não é o objetivo. Em vez de usar o smartphone para se sentir melhor, faça outras alternativas, como exercícios físicos, um esporte, ou atividades criativas, como escrever ou desenhar.

Mantenha-se ocupado!

Com um plano específico para cada dia e concentrado em suas responsabilidades, você terá menos tempo para gastar usando o dispositivo. Além disso, os momentos livres serão utilizados para se dedicar aos seus objetivos e ser produtivo.

  • Caso não esteja empregado, procure emprego ou faça trabalho voluntário em uma organização local.
  • Encontre um novo hobby, como tricotar, costurar ou aprender a tocar um instrumento.
  • Passe mais tempo se dedicando às coisas que precisam ser feitas, como tarefas domésticas ou passar um dia com toda a família.

Redirecione sua atenção fazendo algo construtivo

Almeje fazer alguma coisa que seja importante em vez de usar o celular da próxima vez que sentir vontade. Concentre-se em seus próprios objetivos do presente. Faça uma lista de tarefas que não envolvem o uso do celular, e sempre que sentir a necessidade de utilizá-lo, pare e procure se dedicar às suas responsabilidades com calma.

Faça tarefas sociais de maneira diferente

Muito do desejo de usar o celular vem da vontade inata e evolucionária dos humanos de serem sociáveis. No entanto, existem outas opções para ser social que podem ser mais benéficas e darem satisfação no longo prazo. 

  • Em vez de mandar uma mensagem, escreva uma carta ou se encontre com um amigo ou colega para tomarem um lanche.
  • Em vez de postar uma foto no Instagram a cada minuto, convide um parente e mostre pessoalmente os retratos. Esse tipo de vínculo pode levar a um aumento na intimidade.

Substitua os hábitos

Pense em cada razão para usar o smartphone – enviar mensagens, e-mails, jogar, fazer e receber chamadas. Alguns destes hábitos podem ser necessários para o trabalho e seu dia a dia (e-mails de trabalho ou contato com um colega, por exemplo), enquanto outros só atrapalham a vida, as interações normais e suas responsabilidades. Tente substituir cada um deles por experiências mais sociais, produtivas e de qualidade.

  • Quando um dos problemas for jogar muito no celular, pense em alternativas, como convidar um amigo a vir em casa para disputarem um jogo de tabuleiro.
  • Ao passar muito tempo olhando perfis ou navegando em redes sociais, encontre-se com um amigo próximo ou parente e pergunte como ele está em vez de simplesmente ler sobre ele na internet.

Obtenha Apoio

Avise a todos sobre seu problema

Obter apoio social é um componente crucial para a manutenção de uma boa saúde mental. Ter uma rede de amigos e parentes que o apoiam aumenta a sensação de segurança e vínculo, componentes importantes ao pensar em limitar o uso de celular, já que ele pode ser, ao menos em parte, baseado em conexões sociais (envio de mensagens, uso de redes sociais). Mesmo que o uso do celular pareça ser positivo, ele pode limitar as pessoas, evitando que elas mantenham relações íntimas.

  • Conte a amigos e família, sem maiores rodeios, que você acha que utiliza o celular em excesso e quer cortar um pouco do uso. Explique que seria bom se eles o apoiassem nesta “empreitada”. Além disso, dê sugestões a eles e envolva-os no plano, pedindo que liguem ou enviem mensagens apenas em certas horas do dia.
  • Peça conselhos. Seus parentes o conhecem bem e poderão auxiliá-lo a desenvolver um plano voltado a reduzir o uso do celular.

Peça para que tenham compreensão em relação ao vício

Amigos e familiares precisam saber que, em alguns casos, você não ligará, enviará mensagem ou responderá a eles imediatamente por estar tentando reduzir a quantidade de tempo passada mexendo no aparelho. Se eles souberem da situação, provavelmente o compreenderão e não ficarão irritados.

 

Planeje encontros pessoalmente

Em vez de conversar mais usando o celular, é importante ter uma relação com as pessoas em um nível pessoal e íntimo, o que pode ser feito apenas pessoalmente. 

  • Faça um plano com amigos e parentes. Todo o tempo limitado que você passar usando o celular deve ser usado para conseguir fazer com que esse evento aconteça; desta forma, sua energia será usada de forma produtiva e por uma boa causa.

Vício do celular é uma doença… Confira neste post

 

Fontes: Isto É / Olhar Digital / WikiHow – Acessado em 29/05/2017

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Alexandre Queiroz é Carioca legítimo,amante de sua cidade (Rio de Janeiro), muito bem casado, amante de novas Tecnologias, Música Eletrônica, Carros, Viajar, Cachorros e etc. Este site/blog é utilizado somente para compartilhar notícias, guardar soluções próprias, dicas e sem fins lucrativos... É utilizado como hobbie e para armazenar conhecimento.

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